Alagamento!
Como agir diante dele
Texto: Michel Escanhola
Fotos:
Oslaim Brito e divulgação Porto Seguros
Assim como o calor, as
chuvas e, conseqüentemente, as enchentes são
freqüentes nessa época do ano. Na semana passada,
por exemplo, os motoristas de São Paulo tiveram de
enfrentar ruas alagadas e trânsito ainda mais lento.
E são nessas horas que o carro é mais exigido. Para
não ficar no meio do caminho, certos cuidados com o
veículo e algumas normas de conduta no trânsito
podem evitar que os planos de quem enfrenta ruas
alagadas ‘‘entrem pelo cano’’.
Mais do que prevenir
acidentes, manter o carro bem conservado é a certeza
de que ele não quebrará nos momentos em que o
motorista mais precisar dele. Uma das principais
recomendações de mecânicos especialistas é de que,
ao perceber que a rua está alagada, o motorista
encoste o veículo em lugar mais alto ou espere a
chuva diminuir.
No entanto, como isso
nem sempre é possível, outra opção é traçar uma rota
alternativa nos dias chuvosos, evitando regiões que
costumam ficar alagadas. Mas, se o condutor tiver de
passar de qualquer jeito pela região alagada, o
ideal, segundo especialistas, é manter a aceleração
constante e trafegar devagar, em segunda marcha, no
máximo.
Trabalhando há mais
de 45 anos no setor de reparo automotivo, o gerente
da Martelinho Express, Élvio Roberto Latorre, alerta
que, se o nível da água estiver na metade da roda do
veículo, é melhor não se arriscar. De acordo com
ele, a avaria mecânica mais comum nos dias de
enchente é conhecida como calço hidráulico, que
consiste na entrada de água no motor. Com o sistema
encharcado, o pistão empena a biela e,
conseqüentemente, trava o motor.
“Isso acontece porque
quando o carro morre o motorista, quase que
instintivamente, dá novamente na partida. Pronto, o
motor puxará a água que estiver em contato com o
sistema e é formado o calço”, explica Latorre.
Para que isso não
aconteça, o gerente conta que o nível de segurança é
baseado de acordo com as tomadas de ar e filtros do
veículo. Como isso é diferente em cada modelo, o
recomendável é ultrapassar os níveis de água
inferiores a 30 centímetros.
“A água pode entrar
tanto pelos filtros como pelo escapamento. Na
dúvida, não arrisque. Os estragos do calço
hidráulico podem passar de R$ 1 mil”, diz o mecânico
ao mencionar que a única solução para o calço
hidráulico é realizar a retífica no motor.
Latorre explica que
algumas panes mecânicas não aparecem de imediato.
“Às vezes, o motor vai apresentar algum problema
relacionado à enchente semanas depois”.
O diretor da ARM Auto
Recuperação de Motores e Serviços, Luiz Fernando
Napolitano, lembra que um dos erros mais comuns nos
dias de chuva é seguir filas nas ruas alagadas.
“Se o carro da frente
parar no meio do alagamento, o que vem atrás parará
também. O ideal é deixar uma distância segura para o
outro veículo, de modo que seja possível desviar. É
sempre bom deixar alguém passar primeiro, para
observar se há algum buraco na via e se o nível de
água não está alto demais”.
Napolitano frisa que,
após enfrentar alagamentos, é importante que o carro
fique funcionando por um certo tempo, para a
retirada da umidade do sistema. “O recomendável é
revisar o veículo depois da enchente, limpar o
sistema e substituir os fluídos. Itens como faróis,
borrachas de vedação, pneus e desembaçador também
devem ser checados”.
Entretanto, se o
automóvel ficar “ilhado”, ambos os especialistas
afirmam que o valor do conserto ficará bem mais
pesado. “As seguradoras dão perda total em 90% dos
carros que ficaram boiando nas enchentes. Agora, se
o carro não é segurado e ficou alagado, não tem
jeito: tem que desmontar o automóvel praticamente
inteiro. E mesmo assim, o odor pode ficar impregnado
no veículo”.
SEGURO
As seguradoras deixam claro em seus contratos que,
se ficar comprovado que houve imprudência por parte
do motorista, os proprietários correm o risco de não
receberem o prêmio.
O gerente de seguros
de Autos da Porto Seguro Seguros, Marcelo Sebastião,
explica que mesmo as apólices mais simples já cobrem
o veículo contra submersão parcial ou total em água
doce. Porém, o motorista também tem suas obrigações.
“O ideal é evitar
estacionar o veículo em locais com probabilidade de
inundação. Se isso não for possível e o carro se
encontrar alagado, também não se deve tentar ligá-lo
em hipótese alguma. Outra recomendação é não tentar
atravessar locais alagados, pois há a possibilidade
do veículo flutuar e ser arrastado pela enxurrada, o
que coloca em risco a segurança do motorista e de
seus passageiros”.
Sebastião frisa que
em situações de o veículo ficar alagado o segurado
deve acionar seu corretor de seguros ou a central de
atendimento da empresa, solicitando um guincho para
levar o veículo para um local seguro. “Em dias de
chuva a quantidade de ligações na central de
atendimento aumenta cerca de 20%”, analisa.
Ele conta que o
segurado poderá levar o veículo à oficina de sua
preferência, mas não deve autorizar o conserto antes
da liberação da seguradora. A liberação será feita
por um técnico da empresa, que avaliará se o veículo
pode ser recuperado ou se houve perda total.
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